terça-feira, 5 de maio de 2009

Airbourne - Runnin' Wild

Pois é, vejam só como é a vida: há cerca de uma hora atrás, um amigo comentou sobre sua vontade de escrever hoje. Um comentário na Internet, não direcionado para mim, e na hora eu lembrei desse humilde blog e eu pensei: não, hoje não.

O que me fez mudar de idéia em apenas uma hora? Recebi uma recomendação de banda: Airbourne. Da Austrália. Abriu shows para bandas no calibre de The Rolling Stones e Mötley Crüe e foi elogiada pelas duas bandas. Quando Stones e Mötley Crüe elogiam, alguma coisa boa deve ser essa banda. Mais que prontamente fui atrás. O resultado? A minha necessidade de falar dessa banda agora.

Como de praxe, ao apresentarmos uma banda, tentamos definir algumas coisas sobre o som executado. Os caras fazem um Hard Rock com as influências mais finas possíveis, dentre as quais notamos uma forte veia de AC/DC, Mötorhead e Kiss. A fórmula não é nova, o som não é inovador, mas meus caros, o rock n'roll chegou num ponto tão baixo que hoje em dia qualquer som bem feito, é lucro. E o som do Airbourne é MUITO bem feito.

O disco Runnin' Wild é de 2007 é uma das coisas mais legais que ouvi dessa década, o que em tese não quer dizer muito, pois há tempos não ouvimos algo realmente memorável. Não vou descrever faixa a faixa pois as faixas que compõem esse grande álbum seguem uma linha bastante similar, o que faz com o que o disco seja aproveitado na mesma intensidade do início ao fim.

Se você não tem medo de um som cru, porrada na orelha, nada nerdzão indie, vai de Airbourne e seja muito feliz.

segunda-feira, 27 de abril de 2009

Oasis - Be Here Now

Seria pretensão demais dizer que essa é a resenha mais maldita desse blog até o momento?

O fato é que o Oasis é uma banda mais odiada do que admirada, mas ainda assim eles têm uma base de fãs forte: se 99% do mundo te odiar, você ainda tem 1% e 1% do mundo é coisa pra cacete. É mais ou menos assim que a coisa funciona.

O motivo de tanto ódio se chama irmãos Gallagher. Liam e Noel Gallagher (vocalista e guitarrista, respectivamente) formam uma das duplas mais infames do rock. Brigas, declarações e atitudes. Tudo conta para a má fama deles (e da banda, por conseqüência), e soma-se a isso o fato dos fãs e mídia (querendo ser) especializada levar tudo a ferro-e-fogo (eita povo que não sabe identificar o ácido humor inglês) e pronto, uma banda com uma reputação pra lá de queimada. E quem perde com isso: o rock.

Eu digo que o rock perde, pois quem deixar tudo isso de lado, ouvirá uma banda de rock n'roll, gritante, despojada e alta. E o Be Here Now, terceiro álbum, é fruto de uma banda com experiência, refinada, afim de quebrar tudo ao mesmo tempo que garante as altas cifras e aproveita o ótimo momento para eles.

Assim como tudo da banda, esse álbum é alvo de opiniões diversas: genial, superestimado, épico, extenso, pop. Para mim, é uma mistura de tudo isso.

A cadenciada D'You Know What I Mean? e a ensurdecedora My Big Mouth são músicas relativamente simples de fazer, mas o que prende é a forma de como elas são apresentadas, e recepcionam o ouvinte de forma cativante. A All Around The World soa para mim como uma referência óbvia à A Day In The Life dos The Beatles, mas ainda assim, fazer uma música dessa magnitude é algo de tirar o chapéu. A balada Don't Go Away e a pegajosa (o que não é uma coisa negativa aqui) Stand By Me foram as apostas de singles, e as apostas funcionaram aqui.

Em linhas gerais, temos um álbum que une a explosão do rock n'roll com toques mais refinados, hora mais pop, hora mais cru, tudo isso muito balanceado em 11 faixas e mais um Outro.

Se você quiser julgar o Oasis pelos Gallaghers pela sua falta de compreensão do humor deles ou pelas brigas (que só dizem respeito à eles), está bem. Se você quiser ouvir ótimo disco de rock n'roll, recomendo que tente esse aqui.

quinta-feira, 23 de abril de 2009

Van Halen - 5150

É, lendo o título você adivinhou: vou falar do disco 5150 do Van Halen. Mas antes, gostaria de contar uma historinha. Na verdade, contar como eu cheguei nesse disco e então sentir vontade de escrever sobre ele, depois de ler isso aqui.

Eu curto som (rock/metal) há alguns anos e sempre gostei de pesquisar bandas. Na época que eu freqüentava o circuito underground de São Paulo, fiz contato com outras pessoas e fui conhecendo mais bandas, trocando informações. Não, não me acho um grande conhecedor, mas conheço algumas coisas.

O problema é que quanto mais você ouve som, mais você quer ouvir e aí chega num ponto em que você sente a necessidade de ouvir algo novo, sentir aquela coisa legal de descobrir uma banda, ou um gênero que você não conhecia. Eu sinto essa vontade de encontrar algo novo para ouvir e gostar, e em quase todas as vezes que aposto nas bandas atuais, acabo me decepcionando. Falta tudo nessas bandas: energia, descontração (ou seriedade, dependendo do caso), enfim, não vou prolongar aqui. Foi então que a idéia me surgiu: se as bandas novas não dão tesão, então porque não revirar coisas mais antigas?

Muitas vezes passamos batidos por discos muito legais, que em um determinado momento não agradou tanto, mas com uma segunda ouvida passam a agradar ou até mesmo se tornarem discos indispensáveis. E comigo foi o caso do 5150 do Van Halen.

Para mim sempre foi bastante estranho pensar no Van Halen sem o performático David Lee Roth nos vocais. Talvez por esse motivo, nunca tivesse me interessado muito pela fase Sammy Hagar (e muito menos pela fase Gary Cherone) no Van Halen. E num desses momentos de dar uma segunda chance à velhos conhecidos, encontrei o 5150 e devo dizer: que disco!

Desde o disco 1984, último com o David Lee Roth nos vocais, era possível notar uma puxada da banda para algo mais "de fácil assimilação" e mais de acordo com o cenário Rock da época ditava. E no 5150 essa encorporação do Pop é mais notável, com a inclusão de mais baladas e o uso mais presente de teclados.

O balanço entre baladas e músicas mais rockers é o que faz esse disco tão especial. Impossível passar batido por músicas como Good Enough, que abre o disco, quebrando tudo, a rápida e pesada Get Up que segue a linha mais clássica da banda, ou a divertida e descontraída Summer Nights.

No que diz respeito às baladas, o álbum traz três das baladas mais conhecidas da banda: Why Can't This Be Love, Dreams e a bela Love Walks In.

Foi uma agradabilíssima surpresa reencontrar esse álbum, pois é bastante amplo e diversificado, por isso não se torna massante e cansativo. Recomendo para apreciadores um pouco menos xiitas de um bom rock n'roll, que não se importam com um pouco de diversidade.

sexta-feira, 17 de abril de 2009

Heaven & Hell - Bible Black

Falha grave - o disco se chama The Devil You Know. Pedimos desculpas.

É complicado avaliar quando ícones se encontram. Quando uma banda com mais de 40 anos de história resolve produzir algo novo. Tá certo, o Heaven & Hell não é o Black Sabbath, mas é como se fosse: Tony Iommi e Geezer Butler são da formação original da banda, e o Dio e o Vinny Appice já gravaram com o Black Sabbath.

Bible Black é o primeiro registro de estúdio do Heaven & Hell e de certa forma me surpreendeu bastante. Não que eu esperasse coisa ruim, afinal, com um time desse, boa coisa é certo de sair, mas eu achei que apostariam em um som mais "genérico", impessoal e por isso, nada memorável. Algo para render alguns dólares e alguns shows. Mas felizmente eu estava miseravelmente enganado.

Em geral, o álbum segue uma linha mais "Doomy": lento e carregado, ao melhor estilo Black Sabbath, com algumas músicas como Eating The Cannibals, por exemplo, que é um pouco mais agitada e rockeira. Muita gente copiou, mas nada como os mestres para ensinar aos discípulos como trazer um bom álbum de metal.

É como diz o velho ditado "quem é rei, nunca perde a majestade" e esse disco é um dos lançamentos mais positivos no metal esse ano.

Banda
Heaven & Hell
Ano
2009
Lista de músicas
  1. Atom And Evil
  2. Fear
  3. Bible Black
  4. Double The Pain
  5. Rock And Roll Angel
  6. The Turn Of The Screw
  7. Eating The Cannibals
  8. Follow The Tears
  9. Neverwhere
  10. Breaking Into Heaven

segunda-feira, 6 de abril de 2009

10 músicas para você conhecer o Thrash Metal

O Thrash Metal, uma das sub-divisões do Heavy Metal, é um dos gêneros mais apreciados no universo Metal. Nasceu no início dos anos 80, inicialmente nos E.U.A. e posteriormente criando fortes raízes na Alemanha e Brasil, com a fusão dos riffs do Heavy Metal inglês com a pegada e velocidade do Hardcore.

A proposta desse post é levantar 10 sons que melhor representem o Thrash Metal, indispensáveis para qualquer fã do gênero e também servir como base para quem não conhece muito o estilo e tem vontade de conhecer melhor.

Capa do disco Kill 'Em All da banda Metallica

Metallica - Metal Militia

Música do primeiro disco do Metallica, Kill 'Em All, que é dito ser o primeiro registro Thrash Metal gravado. A Metal Militia é uma música rapida, pesada, que caracterisa bem o estilo que estava nascendo.

Megadeth - Holy Wars... Punishment Due

A banda do vocalista e guitarrista, Dave Mustaine (que já foi guitarrista do Metallica, acima citado) lançou em 1990 a música mais famosa e venerada dessa incrível banda. Velocidade, técnica e precisão se únem nessa fabulosa música que aborda os horrores das guerras que são travadas em nome de Deus.

Slayer - Raining Blood

A última faixa do disco Reign In Blood de 1986 se tornou um marco pelo seu característico riff inicial. Um clássico absoluto que apenas engrandece um dos discos mais aclamados do gênero.

Capa do disco Arise da banda Sepultura

Sepultura - Arise

Como já citado, o Brasil teve também um cenário Thrash Metal bastante interessante, lançando boas e influentes bandas do gênero. O Sepultura é a banda brasileira de maior respaldo em outros países, tendo feito shows em todos os cantos do mundo. Arise é a primeira faixa de seu álbum homônimo (de 1991). Como de praxe do gênero, essa é uma faixa é uma porrada na orelha do primeiro ao último instante.

Kreator - Blind Faith

O Kreator é o principal nome do Thrash Metal alemão. Apresentando muita brutalidade e velocidade em seu som, a Blind Faith, faixa do disco Terrible Certainty (1987), é apenas uma das faixas que expressam bem a pancadaria que esses alemães conseguem fazer.

Tankard - Kings Of Beer

Os Alemães do Tankard resolveram mesclar duas paixões: Metal e Cerveja. E resultado é pra lá de satisfatório. Sempre fiéis ao gênero, o Tankard têm feito a felicidade de seus fãs com suas letras divertidas que falam sobre bebedeira, seus efeitos e consequências. Essa música, Kings Of Beer, tem um ar sério, pomposo, quem não conhece até pensa que eles estão falando alguma coisa séria, até que a letra diz o seguinte: "Do you really think that we are serious? Think again, man, you must be delirious" (Trad. livre: Você achar que falamos sério? Pense de novo, cara, você deve estar delirando). Essa música foi lançada no disco Kings Of Beer, de 2000.

Pantera - Cowboys From Hell

O Thrash teve seu período de fama (apesar de não ser um estilo muito comercial) durante os anos 80, e no começo dos anos 90, assim como quase todos os outros gêneros que faziam sucesso nos anos 80, foi ignorado e botado de lado. Foi aí que surgiu o Pantera com seu disco Cowboys From Hell (de 1990). O Pantera era uma banda que praticava um Hard Rock e resolveu entrar no ramo da música pesada. Muita gente que gosta do Thrash feito nos moldes dos anos 80 não gostam do Pantera, mas não podemos negar que essa música marcou uma nova geração do gênero.

Sodom - Nuclear Winter

Um dos temas mais abordados nas letras Thrash Metal é a guerra. E Tom Angelripper e sua banda sempre explorou muito bem esse tema. Nesse disco, Persecution Mania (1987), o Sodom migrou de um proto-Black Metal, para o Thrash Metal que viria executar dali em diante. O som deles sempre foi bastante simples, porém de impacto forte, praticamente um coice no peito. Essa é a faixa de abertura, que já chega chutando o pau da barraca.

Capa do disco Souls Of Black da banda Testament

Testament - Souls Of Black

O Testament é sempre foi acusado de ser uma cópia do Metallica. Apesar da clara influência, isso não torna o som da banda menos interessante. O Souls Of Black (1989) foi o disco que consolidou, junto com seu antecessor (Practice What You Preach), o Testament como um dos gigantes do Thrash Metal. A faixa que dá título ao álbum é um dos maiores clássicos da banda.

Suicidal Tendencies - Institutionalized

O Suicidal Tendencies foi uma das primeiras bandas a tocar o que chamamos de Crossover, que seria um Thrash Metal com ainda mais influências de Hardcore. Rápido e ríspido como o Hardcore e com a levada clássica do Thrash Metal, o Suicidal Tendencies lançou em seu primeiro disco o seu maior clássico, Institutionalized. Falando sobre conflitos adolescentes, abordam sobre o comportamento dos pais e da forma que eles tentam manipular as atitudes do rapaz. Um verdadeiro clássico.

É isso aí, acho que foi possível fazer um apanhado geral do gênero, destacando algumas músicas chave. Sempre alguma banda acaba ficando de fora, como o Exodus, Forbidden, Destruction, Holy Moses e etc.

Achou que faltou algum som? Alguma coisa indispensável? Gostaria de ler os comentários de vocês.

domingo, 5 de abril de 2009

Forbidden - Step By Step

Esse som é do segundo disco do Forbidden, o Twisted Into Form. Uma obra-prima do Thrash Metal Americano.

E aí, curtiu? Ficou com medo?

quinta-feira, 2 de abril de 2009

Whitesnake - Slide It In

Capa do disco Slide It In da banda Whitesnake

Esse é sem dúvidas o melhor álbum do Whitesnake. Só para fazer uma breve recapitulação da carreira dessa banda: o Whitesnake foi formado por David Coverdale, após sua saída do Deep Purple. Os primeiros discos da banda eram um Hard Rock bem "Bluesy" e o Slide It In é um álbum de transição: Do "Bluesy" Hard Rock para um Hard Rock pop, que dominava as paradas Americanas em meados dos anos 80.

Há um fato interessante que reforça a tese desse ser um álbum de transição: esse disco foi re-editado em sua versão Americana, retirando um pouco do teclado e dando mais foco para a guitarra.

Nesse meio do caminho entre o Blues/Hard e o Hard "Farofa", temos um excelente álbum, bem estruturado, com ótimas composições e sem o forte apelo comercial que viria se tornar praxe das bandas de Hard Rock para atingir um público maior.

Músicas como Gambler que apresenta logo de cara toda a versatilidade da banda, uma linha de teclado bem marcante, fazendo base junto com a guitarra e acompanhados de uma forte cozinha, martelando o auto-falante e a agradável Standing In The Shadows já valem o disco. A sexy Slow An' Easy vem ditar qual seria o tema mais abordado pelo Whitesnake daquele momento em diante em suas letras. Ainda completam o álbum as famosas Love Ain't No Stranger e a agitada, bem cara de final de disco, Guilty Of Love.

Todas as faixas desse álbum marcam de alguma forma e mereceriam destaque, afinal, como não mencionar a guitarreira de All Or Nothing ou o ar mais "sacana" Spit It Out?

Discão altamente recomendado para apreciadores de Hard Rock, feito por um ícone do gênero em sua melhor fase.